Pedro Jr, Advogado

Pedro Jr

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Pedro Jr, Advogado
Pedro Jr
Comentário · há 8 anos
Fico um pouco (deveras, na verdade) assustado com o nível de alienação tanto do texto quanto de muitos comentários. Cito, por exemplo, um comentário falando que todos os problemas são os gerentes. Nem vou citar comentários sobre viés Marxista ou de que empresas são do mal.
Concordo que em varios momentos o uso de uma nomenclatura é meramente semântico, e que colaborador apenas é chamado assim por um suposto efeito psicológico.
O problema é cultural, em larga escala e em diferentes esferas. Desde a pessoa que trabalha, que pressupõe abuso da pessoa que contrata, da pessoa que contrata, que pressupõe má vontade de quem trabalha. De Sindicatos, que replicam sentimentos de abuso e de Judiciário, que pressupõe saber de tudo e de toda a realidade (sem sair do alto de seus gabinetes com ar condicionado para conhecer as diversas realidades de condições de trabalho).
Falar que empregado é empregado e só precisa cumprir ordens é rebaixar quem pode fazer a diferença. Não podemos dizer que empregado é investidor? A pessoa investe talvez a maior parte do seu tempo (seu bem mais precioso), esperando uma contrapartida. Está no dia a dia da operação e em muitas vezes (muitas mesmo) tem mais condições de dizer o que afeta sua performance e, por consequência, afeta sua empresa. Será que realmente sabemos ouvir estes conselhos? Será que o olhar parcial de má vontade nao afeta a forma como negamos esta participação ativa na busca de melhorar o negócio?
Será que tentar falar (muitas vezes) sem ser ouvido não desmotiva uma pessoa e acaba criando má vontade? Será que temos um mercado de fato aquecido que propicie facilmente uma transição de empresas de alguém que sente que não há mais espaço no atual emprego - que poderia facilmente fazer sua transição para outra oportunidade - ao invés de ficar em algo que não gosta apenas pq precisa pagar as contas?
E aí alguns alienados falam que divisão de lucros apenas seria válido se houvesse divisão do prejuízo. Será que prejuízo no negócio não se reflete em estagnação em salários de empregados, menores chances de crescimento profissional e pessoal e, em muitos casos, demissões? É absurdo que em 2018 muitas pessoas apenas pensem que lucro ou prejuízo é apenas financeiro.
Sob a ótica do empresário: o risco de prejuízo ou lucro é inerente à atividade empresária. Se não quer riscos, não os corra. Essa falta de percepção gera empresários alienados e descontentes, que descontam a culpa por eventuais problemas em terceiros (ah, o mercado, ah os Sindicatos, ah aos preguiçosos empregados)... será que temos maturidade suficiente para empreender?
Também na ótica do empresário: será que vivemos em um ambiente que facilita e propicia empreender? É extremamente fácil no Brasil montar um negócio. Temos a garantia de que vamos empreender e que deitaremos tranquilos ao final do dia...
Falo com a experiência de quem trabalha como empregado, já rodou por diversas empresas em diferentes setores, e também empreende.
Já vi muita injustiça, de pessoas que faziam a diferença em negócios e não tinham o reconhecimento. Já vi também muita justiça, em pessoas que cresciam por justamente fazer a diferença, ao ponto de virar sócios da empresa que os contratara. Vi empreendedores conscientes e empreendedores arrogantes.
Reduzir o problema cultural e jogar a responsabilidade ao empregado, que deve trabalhar com dedicação para o negócio do patrão prosperar é miopia.
É negar que a realidade é extremamente complexa e passa por diversas interseções pessoais, culturais, econômicas, sociais e por aí vai.
De qualquer forma parabéns pelo texto. Acredito que pode ser uma tentativa de amadurecer justamente o debate e trazer consciência sobre este cenário complexo que é um trabalho.
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Pedro Jr, Advogado
Pedro Jr
Comentário · há 10 anos
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